sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Capitães da Areia




Descrição:
"Publicado em 1937, pouco depois de implantado o Estado Novo, este livro teve a primeira edição apreendida e exemplares queimados em praça pública de Salvador por autoridades da ditadura. Em 1940, marcou época na vida literária brasileira, com nova edição, e a partir daí, sucederam-se as edições nacionais e em idiomas estrangeiros. A obra teve também adaptações para o rádio, teatro e cinema. Documento sobre a vida dos meninos abandonados nas ruas de Salvador, Jorge Amado a descreve em páginas carregadas de beleza, dramaticidade e lirismo."

Resenha:
Sem dúvidas uma das mais belas obra que já li da literatura brasileira. Jorge Amado traz a tona uma estória envolvendo personagens que muitas vezes são ignorados ou passam despercebidos aos olhos dos leitores, autoridades e governantes.
O livro narra a estória de vida de um grupo de meninos de rua de Salvador, os capitães de Areia, focando-se especificamente em seus membros mais ativos, como o líder, Pedro Bala, e alguns outros também fundamentalmente importantes para a narrativa, como Pirulito, Professor, João Grande e Sem-Pernas.
A escrita do autor não lembra em nada os grandes clássicos da literatura com linguagem rebusca e de difícil compreensão, sendo bastante simplificada e repetitiva em pontos onde Jorge Amado pretende dar mais ênfase.
O que realmente chamou mais minha atenção é empatia que o autor compartilhas com seus personagens, mostrando seus pontos portes e fracos com uma verdade que deixa o leitor emocionado. O leitor muitas vezes pode se encontrar em um dilema moral quando percebe que os Capitães da Areia são na verdade um reflexo de uma desigualdade que ainda hoje se manifesta em nossa sociedade. Vemos que até mesmo os mais perversos Capitães da Areia um dia foram crianças desamparadas e vulneráveis que sofreram com maus trados das autoridades que deveriam protegê-las. Entregues a própria sorte, podendo contar com a caridade de pouquíssimas pessoas, vemos as reais possibilidades que estão ao alcance de meninos de rua.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Concluído meu último livro: A Lenda da Serpente Emplumada


Sinopse: Atormentada por pesadelos, amargando a dor da morte daqueles que amava e sendo explorada dia após dia como serva do império asteca, Zulia apenas sobrevive na grande capital de Tenochtitlan. A crueldade de seus governantes e os constantes sacrifícios humanos a fazem criar em sua mente uma imagem maléfica de seus governantes e dos deuses adorados por seu povo.
A notícia de que um deus viria visitar a cidade marcando o início de uma nova era deixa o povo agitado e ansioso, principalmente aqueles que possuem maior prestígio e poder dentre os astecas. Zulia parecia ser a única que não tinha se animado com a ideia.
A chegada do deus Quetzalcoatl, a Serpente Emplumada, se transforma em um grande evento para toda a população marcado por festejo e adoração. Zulia era a única que não estava feliz, era a única que não amava e não adorava ao deus. Talvez tenha sido isso, sua repulsa ao deus, que o fez sentir-se atraído.
Zulia era apenas uma serva e nunca teve a ambição de capturar a afeição de um dos deuses mais poderosos do panteão asteca. Ameaças e inimigos começam a surgir fazendo-a tomar a decisão de fugir da cidade e iniciar uma jornada em busca das terras de seus ancestrais, os antigos e já extintos maias.
Para chegar a capital do antigo império maia, Zulia terá que atravessar a fronteira do que é conhecido por seu povo e explorar lugares nunca antes conhecidos por um asteca. Ela contará com a ajuda de seus amigos nesta jornada cheia de perigos. Nem a guerra entre nações inimigas ou mesmo a disputa de poder envolvendo os deuses serão capazes de aplacar o desejo de liberdade que impulsiona o coração da jovem aventureira.
Espero em breve estar publicando está minha mais nova obra.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Cavaleiros do Zodíaco - Episódio G


Sinopse:
"Na série, os Cavaleiros de Ouro devem enfrentar os doze Titãs, discípulos de Cronos, que buscam se vingar dos deuses gregos e dominar a Terra. Aiolia, o cavaleiro de Leão, é o protagonista da história. Após crescer sob a sombra da traição de seu irmão mais velho, ele precisa demonstrar sua força contra poderosos inimigos e conquistar o respeito dos outros Cavaleiros de Ouro."

Resenha:
Dividido em 18 volumes, o Episódio G de Cavaleiros do Zodíaco sem dúvida é uma das melhores sagas já criadas, além da clássica é claro. Logo de início o traço do desenho na capa já chama muito a atenção dos fãs de CDZ, tanto pela sua complexidade como também por se diferenciar bastante do traço original. Particularmente gostei muito do traço, mas por ser tão complexo e detalhado, em certos momentos no desenrolar da estória se torna um pouco difícil de compreender e visualizar, exigindo um pouco mais de paciência e calma do leitor que está louco para devorar o mais rápido possível páginas tão fascinantes.
O autor de Episódio G, ao invés de trazer inimigos humanos ou que pareçam humanos para combater os cavaleiros de ouro, assim como acontece no original, prefere investir na mitologia fazendo surgir criaturas mitológicas famosas para enfrentar os cavaleiros inicialmente. Mas a estória só começa a esquentar mesmo quando os primeiros titãs aparecem.
Se você já achava uma diferença tremendamente injusta, simples cavaleiros de bronze enfrentando deuses de poder infinito, vai ficar de boca aberta quando ver o abismo absurdo que separa o poder dos cavaleiros de ouro, a elite dos defensores de Atena, e os titãs. Isso sem contar os mistérios envolvendo a derrota dos titãs na guerra mitológica contra os deuses, a titanomaquia, e que são doze titãs a serem derrotados, tornando a batalha muito mais difícil.
Emoção, força de vontade e muita superação, não faltam nesta estória que te faz desejar uma versão em anime.
Boa leitura!

quarta-feira, 11 de maio de 2016

O Turno da Noite - Volume Único


Sinopse:
"O Turno da noite surgiu para agitar o submundo. Quatro vampiros recém-trazidos para a vida noturna são atraídos por um vampiro ancião que vive em São Paulo. Ignácio oferece proteção e ensinamentos para os novatos em troca de suas habilidades para lutar contra o crime organizado. Uma mistura explosiva que vai sacudir a cidade e mergulhar o leitor em suspense, ação e muito mistério. Vampiros, lobisomens e anjos se misturam num conflito onde não sabemos ao certo quem é herói ou bandido. Compre seu bilhete, tome seu lugar. 'O Turno da Noite' vai zarpar para uma viagem inesquecível."

Resenha:
É difícil imaginar uma estória com a temática envolvendo vampiros e lobisomens se passando aqui no Brasil, não é verdade? Como se nosso próprio território fosse impróprio para o desenvolvimento de qualquer estória fantástica. Mas eu digo que não é, principalmente depois de ler este livro incrível e muito bem escrito por André Vianco. Não tenho dúvidas de que ele conseguiu fazer um bom casamento de nossa sociedade e cultura com seu vampiros.
Seus personagens são envolventes e apaixonada, principalmente em se tratando das mulheres. O que dizer de Calíope, Patrícia e Yuli. Em diversos momentos no livro vive momentos de euforia em que meus sentimentos foram tocados pela beleza, sensibilidade, força e sensualidade destas mulheres.
A estória é extremamente bem narrada e muito envolvente. As estorias de cada persagem são bastante detalhas, seus traços de persoalidade e o momente em que se inserem também.
Acredito que um dos pontos negativos do livro é que durante em praticamente todos os momentos de clímax da estória, os personagens são colocados em situações tão difíceis, que parece que nem mesmo o autor consegue pensar em uma forma de eles saírem desta situação sozinhos e acaba tendo que enviar a ajuda de seres sobrenaturais superiores para salvá-los. Além disso, posso dizer que esperava mais do final da estória, como você ficasse com a sensação de que falta alguma coisa.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Cordéis e outros poemas


Resumo:
"Considerado um dos maiores poetas populares de todos os tempos, Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa, nasceu em 1909, em Assaré, Ceará, e ali morreu em 2002. Diferente dos “poetas da cidade”, que cursaram alguma universidade, Patativa, como era considerado analfabeto, ou quase, costumava fazer recitais em praças públicas ou em teatro. Neste momento reunia multidões em torno dele fosse no interior do Ceará, em Fortaleza ou no sul do país. Contendo dezessete poemas de Patativa do Assaré esta coletânea que reúne o que há de melhor do poeta traz dois poemas inesquecíveis do autor de Ispinho e fulô: “A Triste Partida”, que foi musicada por Luiz Gonzaga em 1964, e “Cante Lá que eu Canto Cá”, título de um dos livros do Patativa que foi editado em 1974."

Resenha:
Nesta obra belíssima da literatura cearense, Patativa do Assaré nos emociona e encanta com estórias muito bem elaboradas sobre a difícil vida do sertanejo. Ele demonstra em toda a obra um talento e uma pericia praticamente naturais com a lida das rimas, além de um grande conhecimento de quem viveu na pele a dramática vida do nordestino, que também conhece como ninguém as crendices populares e as usa como forma de inspiração para produzir inúmeras obras tão fantásticas como está. Poesia e habilidade natural é o que me vem a mente quando recordo deste grande mestre da literatura cearense, que eu acredito, nunca mais encontraremos outro igual. Aconselho a todos, permitam-se encantar por estes versos humildes, porém apaixonantes deste grande mestre, que mesmo semi-analfabeto, teve a força de vontade e perseverança para nos deixar tão importantes versos.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Fragmento do Capítulo 16 (Mausoléu) de Sob o manto da morte



– No início, eu sentia pena de vocês. Depois, veio a decepção ao ver que os humanos nunca mudam, e da decepção para chegar ao desprezo, só foi preciso dar mais um passo. Só falar não vai fazer com que você entenda as minhas mo­tivações. Eu vou te mostrar.
De repente, imagens embaçadas surgiram dentro dos olhos negros de Amin­tor, como se suas lembranças flutuassem em um mar profundo e obscuro. Eu tentei desviar o olhar, temendo o que ele queria me mostrar, mas não pude. Eu estava completamente paralisada. Como se fosse um filme, Amintor me mostrou atrocidades cometidas em guerras. Na era medieval, pude ver fome, miséria, doenças e pessoas se matando em combates de espadas.
– Por favor, pare! – implorei temendo o que Amintor ainda pretendia mos­trar para mim. 
– Mas nós ainda nem começamos!
Amintor seguiu com a tortura psicológica, mostrando-me as atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial contras os judeus. Dentro dos campos de concentração, pessoas sendo terrivelmente torturadas e usadas em experiências desumanas como se fossem verdadeiros animais de laboratório. Eu não podia ouvir o som de suas vozes, apenas as via pelas imagens, mas pela expressão de dor e sofrimento em seus rostos infelizes, pude imaginar seus gritos ecoando dentro de meus ouvidos.
Ainda na Segunda Guerra Mundial, Amintor mostrou-me o momento em que os Estados Unidos lançaram a bomba atômica sobre a cidade de Hiroshima. Tudo aconteceu tão rápido. Em um instante, a cidade estava lá, e no minuto seguinte, o clarão produzido pela explosão da bomba engoliu tudo o que tocou, deixando para trás apenas fogo, destruição e um imenso cogumelo de fumaça radioativa. 
– Já chega! Eu não aguento mais! – gritei com os olhos lacrimejando.
– Agora eu acho que você finalmente foi capaz de me compreender! – Amin­tor soltou meu rosto e afastou-se, com um sorriso maléfico.

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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Fragmento do capítulo 51 (Corcel da Cura) de Doze Clãs


– Tudo aconteceu há muito tempo. Eu vivia em um pequeno, porém próspero, vilarejo, em uma província que nem sei se ainda existe. Nasci em uma família humilde da região, mas isso não impediu que a minha beleza logo se destacasse, causando inveja entre as mulheres da nobreza que lá viviam. Elas nunca perdiam uma oportunidade de me humilhar e mostrar como eram superiores a qualquer camponesa. – o olhar de Kuchisake-onna agora se perdia nas lembranças e na mágoa do passado. – Mas eu já estava acostumada a tudo aquilo quando ele apareceu. Um príncipe da mais alta nobreza veio à nossa vila em busca de conhecer o segredo de nossa prosperidade. Ele me viu trabalhando em um campo de plantação de arroz e logo se interessou por mim. Mas eu nunca imaginei que as coisas fossem passar de troca de olhares e umas poucas palavras, até o momento em que ele me pediu em casamento, indo contra todas as regras que regiam império na época. Foi neste momento, que, não só as minhas rivais, mas toda a nobreza se voltou contra nossa união. Era inadmissível que um camponês tivesse qualquer chance de ascensão e, aos poucos, ameaças contra mim foram surgindo sem que meu noivo soubesse. Eu, de fato, não o amava, mas ele era um homem bom e eu queria ter uma chance de chegar ao topo, onde não sofreria mais com qualquer desonra. Foi aí que elas decidiram agir, transformando humilhações em agressões, mas eu não cedi, nem ao menos dei a entender que o faria. – ela hesita. – Hoje posso ver o quanto eu estava errada. Não pude prever que aquelas malditas chegariam ao ápice de sua ira e tentariam me matar com está mesma tesoura. Elas me atacaram de surpresa quando caminhava à noite pela vila. Elas iam me apunhalar pelas costas, mas eu me virei pouco antes e recebi o golpe no rosto, um golpe envenenado com o mais puro ódio. Para sobreviver, eu tomei a tesoura da mão daquela que me atacou e a matei, com um golpe na garganta. As outras tentaram me impedir, mas já era tarde demais, eu tinha me tornado um animal acuado em busca de sobrevivência. Nem mesmo a dor extrema foi capaz de me fazer hesitar quando matei as outras duas. Logos todas as pessoas da vila estavam me caçando. Ninguém mais conseguia me reconhecer como um ser humano, apenas como um demônio. E, de fato, foi isso que me tornei, um ser amaldiçoado com um ferimento inflamado pelo mais puro ódio. Eu tinha perdido tudo e minha única opção era lutar pela minha sobrevivência até que finalmente encontrei a morte nas mãos de um guerreiro habilidoso. Naquele dia senti a minha dor desaparecer junto com vida. Agora entende por que não posso parar? – Kuchisake-onna retorna de suas lembranças e volta a encarar Ai Zai, com um olhar aflito. – Se eu venço, ganho a imortalidade dada pelas mãos de uma deusa e consequentemente a cura para minha dor. Mas se eu perco, posso novamente mergulhar no sono profundo da morte, onde não sinto nada.
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